28 de janeiro de 2014

O inferno são os outros



Olá tripulantes, como vão? A viagem de hoje é inspirada na filosofia existencialista de Jean-Paul Sartre. Para entendermos a frase do título, primeiro iremos refletir sobre a existência humana, afinal o que é existir?  O homem nasce puro, sem saber o por quê da vida, mas aos poucos desperta para a consciência de viver e de repente, está ali vivenciando o drama "penso, logo existo" sem ter pedido pra nascer. Para Sartre, a característica humana que prevalece em todos os homens é o nada, ou seja um vazio, uma espécie de "espaço aberto" do qual o homem já nasce cheio, isso não quer dizer que o homem seja nada, muito pelo contrário, esse nada representa a nossa possibilidade de escolhas, de mudança, de ser curioso e de refletir a cerca das coisas. Afinal, se fossemos um ser preenchido não poderíamos ter liberdade, pois estaríamos presos a nossa própria essência e nunca seríamos abertos a novas escolhas, já nasceríamos prontos. 

Logo,  é esse "Vazio do ser" que nos permite ter o livre arbítrio para sermos o que quisermos, e é por isso, que frequentemente o homem procura pela felicidade, porém é aí que nos deparamos com o outro. Como o homem nasce vazio, no decorrer de sua vida irá procurar por respostas para tentar ser aquilo que ainda não é, mas ao ter relações com o mundo, acaba encontrando o outro e sendo influenciado pelo outro, ou seja para tentar se descobrir o homem torna-se dependente do outro. 

Você talvez esteja confuso agora, mas vou dar um exemplo cotidiano, você vai numa entrevista de emprego, logo pensa com que roupa eu vou? Tenho que aparecer apresentável, mas por que você tem que parecer apresentável? Porque na entrevista você será analisado pelo olhar do outro e o olhar do outro acaba nos dizendo quem somos e não quem julgamos ser e é por isso que tentamos crescer e evoluir. Mas até que ponto isso é satisfatório e realizador?

"O inferno são os outros" Projetamos nos outros a nossa realização e aguardamos deles algo que amenize o vazio que nos habita." Sartre

Bom, em minha concepção é dai que surge a frase " O inferno são os outros", muitas vezes ao tentar se descobrir no outro, o homem acaba empenhando-se para agradar o outro e ser aceito pelo outro, assim, perde sua própria essência e não vive para si e sim para o outro, o seu eu é destruído e ele acaba se preocupando com coisas fúteis e banais. Um exemplo muito claro nos dias de hoje, são os jovens que desejam ser aceitos pela sociedade a qualquer custo, tentando se encaixar num estilo, ou grupo. Então, se auto intitulam, ou são intitulados de nerds, rockeiros, funkeiros, hipsters, hippies, da igreja, metaleiros, cult, vintage, playboy, mano, dentre milhares de outros estilos.


E claro, tudo isso é aproveitado pela massa capitalista que só deseja sugar a verdadeira essência humana, que quer fazer de você um fantoche e isso me lembra um famoso filme (o qual não posso nomear se não estaria quebrando as duas primeiras regras) que traz um questionamento ao público:


"Por que será que vivemos trabalhando para produzir o que não consumimos e, em troca disso, consumimos o que não nos é útil e temos o que não utilizamos, e, por fim, nunca estamos satisfeitos?" 


Creio que agora você já deve achar fácil responder essa pergunta, a resposta é simples, o mundo capitalista sabe que o homem tem um vazio que precisa ser preenchido e também sabe que necessita do outro para se auto conhecer. Logo aproveita-se disso e "vende" a fórmula da felicidade, o corpo perfeito, a roupa da moda, o carro do ano, e tudo mais que você possa precisar parar parecer feliz, afinal porque ser rico é ser feliz, não é mesmo? A verdade é que "nem dinheiro nem prazeres vão trazer o que você está procurando!" (Forfun). Escrevendo assim, pode parecer que estou sendo cruel com as palavras, mas estou tentando apenas ser realista, pois realmente estamos sendo feitos de fantoches o tempo todo! 

Quer uma prova? Repare no quanto precisamos ser aceitos, estamos lá nas redes sociais postando a nossa suposta vida feliz para o outro, como se fosse um apelo "ei olha pra mim, curte a minha foto, me aceite, olha como sou legal!"




De acordo com Sartre, "nossas escolhas são a nossa essência e não importa o que faremos de nós. O que importa é o que faremos daquilo que fizeram de nós." Então, reflita no que o outro tem feito de você, qual é a sua essência e em como você está preenchendo o seu vazio. 

Por fim, deixo-lhes com um diálogo daquele filme que não posso nomear devido as regras (hahaha)


"Você não é o que faz para viver. Você não é a sua família e não é quem pensa que é. Você não é o seu nome.Você não é os seus problemas. Você não é a idade que tem. Você não é suas esperanças." Então quem é você?


Um aperto de mão e um tapinha nas costas, até a próxima!

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